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UMA PERSPETIVA SINGULAR SOBRE O DIA DA EUROPA

No âmbito da Comemoração do dia 9 de maio

Desde mil novecentos e oitenta e seis….

A presente reflexão remete para o primeiro dia de mil novecentos e oitenta e seis: Mário Soares, na altura primeiro-ministro português, assinava a tão desejada integração portuguesa na União Europeia (UE). Os nossos vizinhos espanhóis tiveram também a “genial” ideia de integrar essa mesma União, passando deste modo a ser a “Europa dos doze”.

Vinte e oito anos depois talvez essa ideia de genialidade se tenha alterado um pouco, pelo menos para nós portugueses. Admitimos que houve falhas de ambas as partes. Por exemplo, avultados fundos financeiros foram concedidos para investimento a aplicar na Agricultura, Indústria, Educação (entre outros focos de potencial desenvolvimento); no entanto alguns desses recursos foram desviados para outros objetivos menos desejáveis e muitas vezes condenáveis.

Neste aspeto há que reconhecer que a UE cumpriu o acordado. Nós? Nem por isso! Para nós, cidadãos em particular e as empresas em geral, a “abolição” dos entraves fronteiriços, quer física quer economicamente (por exemplo abolição das taxas alfandegárias), favoreceu em muito a cooperação transfronteiriça e promoveu o desenvolvimento das partes envolvidas. Recorrendo a uma abordagem mais simplista, dá a ideia que a União Europeia conseguiu implementar o tão intencionado título de“ Aldeia continental”. Todavia, numa perspetiva mais aprofundada podemos detetar algumas anomalias.

Após o exposto, vamos proceder a uma pequena análise referente à “aniversariante“: a Comunidade Económica Europeia (CEE) tem vinte e oito anos e já abandonou o “velho nome”, passando a designar-se União Europeia. Constatamos contudo que é “Europeia” de acordo com a localização geográfica…

Mas o que dizer do termo “União”? União implica uma justa distribuição de direitos e deveres, obrigações e regalias. Apesar disso, deparamo-nos com países a quem são apenas distribuídos deveres, enquanto aos outros são maioritariamente concedidas as regalias. A um país como a Alemanha (considerada forte e poderosa), cuja opinião conta como lei, contrapomos os países do Sul da Europa (entre os quais, o nosso), aos quais não lhes resta outra alternativa senão a de obedecer. União? A nós parece-nos mais uma ilação descontextualizada.

Esta constatação subentende outras… Acreditamos que atualmente o termo “Comunidade”, ou melhor dizendo, “União” em nada corresponde à ideia de Robert Schuman aquando da criação da CEE. Aliás, constata-se uma desvalorização no investimento social e económico por parte dos países economicamente superiores, o que nos intriga profundamente.

Podemos perceber o esforço da Alemanha para assumir um estatuto de “potência”, mas entendemos que a UE deve ser o verdadeiro referencial Europeu e, quiçá, Mundial. Percebemos também os esforços e a contenção dos cidadãos nórdicos. Mentalidades diferentes… Mas não podemos deixar de sublinhar as potencialidades e recursos de Portugal. Nós fomos e continuamos a ser úteis estabelecendo-nos como uma ponte relativamente ao resto do mundo, principalmente para os continentes africano e americano. Aliás, terá sido essa a principal razão da insistência da nossa adesão à UE.

Entretanto, somos considerados “Lixo”! Descartados das nossas potencialidades somos considerados um “povo preguiçoso”. Todavia, não deixa de ser curioso, os países que nos atribuem a característica de “mandriões”… trabalham semanalmente menos horas que nós.

Porém, embora trabalhemos mais tempo continuamos a produzir menos. E mesmo assim, os horários de trabalho continuam a aumentar, aumento esse que se estende frequentemente à idade da reforma (presumimos que nunca cheguemos a ter uma, ou talvez a tenhamos por volta dos 80 anos…).

Em Portugal são reconhecidas inúmeras ilegalidades associadas à política. Por outro lado, se os pais não ensinam as crianças a falar, elas nunca falarão. Se os nossos representantes políticos não dão o exemplo, será que nós seremos corretos? Depois há o próprio espírito da sociedade e os valores morais dos nossos cidadãos que se advinham cada vez mais degradados. Precisamente o antónimo das sociedades nórdicas. Embora, em termos históricos, se associem os países do Norte europeu aos povos e os exércitos “selvagens”, enquanto os portugueses eram os senhores do Comércio Mundial, os pioneiros nos descobrimentos, verificamos que atualmente é evidente uma inversão dos papéis.

Concluindo, salientamos que a nossa relação com a União Europeia é, como começamos por referir, recheada de erros de ambas as partes e se nós esperamos, ou pelo menos desejamos, que o nosso esforço seja devidamente reconhecido, há que promover uma mudança drástica dos valores da sociedade e lutar por uma mais eficiente e competitiva, sem espaço para fraudes, porque afinal… é necessário respeitarmos, para sermos respeitados!!

                                                                     Vitor Hugo Gonçalves -11ºD